Afora a TropicanAlice Metáforas a Parte Sou de Campos


23/02/2006


Tecidos sobre a pele

 

Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
   antes que seja tarde
e que  a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu  peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha,

amada
de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

o que me dói
é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra
incestuosa de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante


 

Escrito por artur gomes às 13h14
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minha terra
é de senzalas tantas
entrerra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta - avança
plantada em ti
              como canavial
              que a foice corta
mas cravado em ti
        me ponho a luta
mesmo sabendo -  o vão
- estreito em cada porta

 

Escrito por artur gomes às 13h13
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Usina
       mói a cana
       o caldo 
       e o bagaço
Usina
        mói o braço
        a carne
        o osso
Usina
        mói o sangue
        a fruta
        e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço

e do alto da casa grande
os donos do engenho
  controlam:

 - o saldo e o lucro.

 

Artur Gomes
In Fulinaíma Sax Blues Poesia
 http://tropicanalice.zip.net

http://federicobaudelaire.zip.net

http://sagaranagens.zip.net

 

 

Escrito por artur gomes às 13h12
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22/02/2006


Escrito por artur gomes às 11h50
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ALGUMA POESIA

 

 

não. não bastaria a poesia

deste bonde

que despenca lua

nos meus cílios.

num trapézio de pingentes

onde a lapa

carregada de pivetes nos seus arcos

ferindo a fria noite como um tapa

vai fazendo amor por entre os trilhos.

não. não bastaria a poesia cristalina

se rasgando o corpo

estão muitas meninas

tentando a sorte

em cada porta de metrô.

e nós poetas desvendando palavrinhas

vamos dançando uma vertigem

no tal circo voador.

não. não bastaria todo riso pelas praças

nem o amor que os pombos tecem pelos milhos

com os pardais despedaçando nas vidraças

e as mulheres cuidando dos seus filhos.

 

 

 

 

 

Escrito por artur gomes às 11h50
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não bastaria delirar Copacabana

e esta coisa de sal que não me engana

a lua na carne navalhando

um charme gay e uma cheiro de fêmea

no ar devorador

aparentando realismo hiper-moderno,

num corpo de anjo

que não foi meu deus quem fez

esse gosto de coisa do inferno

como provar do amor

no posto seis.

numa cósmica e profana poesia

entre as pedras e o mar do Arpoador

uma mistura de feitiço e fantasia

em altas ondas

de mistérios que são vossos.

 

não. não bastaria toda poesia

que eu trago em minha alma

um tanto porca,

este postal com uma imagem

meio Lorca:

um bondinho aterrizando lá na Urca

e esta cidade deitando água

em meus destroços

pois se o cristo redentor

deixasse a pedra

na certa nunca mais

rezaria padre-nossos

e na certa só faria

poesia com os meus ossos.

 

 

Escrito por artur gomes às 11h49
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Escrito por artur gomes às 11h45
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Baby é Cadelinha

 

devemos não ter pressa

a lâmina acesa sob o esterco de vênus

onde me perco mais me encontro menos

de tudo o que não sei

só fere mais quem menos sabe

sabre de mim baioneta estética

cortando os versos do teu descalabro

 

visto uma vaca triste como a tua cara

estrela cão gatilho morro:

 

a poesia é o salto de uma vara

 

disse-me uma vez só quem não me disse

ferve o olho do tigre enquanto plasma

letal a veia no líquido do além

cavalo máquina meu coração quando engatilho

Escrito por artur gomes às 11h41
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devemos não ter pressa

a lâmina acesa sob os demônios de eros

onde minto mais porque não verus

fisto uma festa a mais que tua vera

cadela pão meu filho forro:

 

a poesia é o auto de uma fera

 

devemos não ter pressa

a lâmina acesa sob os panos

quem incesta?

perfume o odor final do melodrama

sobras de mim papel e resma

impressão letal dos meus dedos imprensados

misto uma merda a  mais que tua garra

panela estrada grão socorro:

 

a poesia é o fausto de uma farra

Escrito por artur gomes às 11h40
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