Afora a TropicanAlice Metáforas a Parte Sou de Campos


19/10/2006


Mãos de meninos

Em esquinas e becos, tem mãos de meninos.
Que roubam que matam que morrem.
Na pele, no osso, o medo, o terror.
E na noite vazia...
Tem nas mãos de meninos, pedra, punhal..
Ou serão gotas de sonhos que não germinaram
Com os sentidos bloqueados, entre lama e fantasmas,
O que tem no abandono, é o belo em carrancas.
Que traduz o escuro, o avesso da vida.
Corroendo a alma com total dissabor.
E nas mãos de meninos:
Pedaços de nada, a bandeira da dor.

Cláudia Gonçalves

Escrito por artur gomes às 23h11
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O Vazio

Em pétalas
desfaço-me
e do avesso
...sentindo
o beijo do vento
exalando vanilla
a inundar o papel
em branco
com sabor de mil folhas.
o desejo vacila
quebrando o vazio
da marcha perdida
no sopro do tempo,
nos labirintos da vida.

Cláudia Gonçalves

 

Escrito por artur gomes às 23h08
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Alma de Poeta

Carrega sonho
em metáforas...
atenta, aos
amores, as partidas,
o som, o silêncio...
o pensamento navega
no subterrâneo
da emoção
magia que pulsa
nas entrelinhas
do que projeta,
e no delírio
da inquietude
está a alma do poeta.

Cláudia Gonçalves

http://www.almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por artur gomes às 17h15
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17/10/2006


alex, mário, mayara e artur relaxando dos ensaios

Escrito por artur gomes às 18h05
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A Traição do Lirismo
Dalila Teles Veras

Artur Gomes, feito gume, é máquina devoradora do mundo. Mastiga coisas, afetos, pessoas, rumina e afia os elementos em sua navalha verbal e os transforma na mais pura poesia. Dono de uma criatividade em permanente ebulição, hábil no verbo e na disposição visual do mesmo no espaço do suporte - papel ou pano - bandeira a gotejar palavra que, não raro, é também palco e gesto, (in)cenação a complementar e enriquecer o que a palavra muda já disse, a dizer outra coisa que é também a mesma coisa: poesia.

Poeta em tempo integral, como poucos ousaram ser, Artur Gomes constrói, sem pressa (os anos não parecem pesar - na carne nem no espírito) a sua delirante e criativa poesia, colagem da colagem da colagem, (re)encarnação mais do que perfeita da antropofagia como nem mesmo o velho Serafim sonhou. Nada, absolutamente nada escapa à sua devastadora e permanente passagem, andarilho de poderosa voz a evangelizar para a poesia.

Este Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas é a continuação de um enredo de há muito ensaiado. Seus atrevidos personagens já apareciam em Vinte Poemas com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção com Sabor de Campos. Legítimas apropriações retiradas de suas viagens brazílicas, figuras que a sua generosidade literária faz questão de homenagear. Na passarela poética de Artur, tanto podem desfilar Mallarmé, Faustino, Dalí, Oswald, Baudelaire, Drummond, Pound, Ana Cristina César e o sempre lembrado mestre Uilcon Pereira, a quem o novo livro é dedicado, como personagens anônimos encontrados nas quebradas do mundaréu, além dos amigos, objeto constante de sua poesia. Neste caldeirão, “olho gótico TVendo”, entra até um despudorado acróstico, rimas milionárias em permanente celebração. O poeta Artur, disfarçado de concreto, celebra descaradamente a amizade e o lirismo e ri-se de quem tenta classificá-lo. Evoé, Artur!

 

Escrito por artur gomes às 18h02
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